
Referência mundial por ter desenvolvido na Escola da Ponte, em Portugal, um modelo de educação baseado na autonomia dos alunos, o educador José Pacheco reuniu-se com professores do Colégio e das redes de ensino privada e pública do Rio Grande do Sul na noite de 25 de junho, no Auditório do Farroupilha. Na pauta do bate-papo, o Projeto Âncora, implantado por Pacheco na cidade de Cotia, na Grande São Paulo, e que segue a mesma metodologia da escola portuguesa, e os desafios vivenciados por quem, como ele, ousa quebrar paradigmas na área da educação. “Hoje, temos crianças do século XXI sendo ensinadas por pessoas do século XX em escolas do século XIX”, alertou o educador ao destacar que os professores são os principais agentes de transformação para libertar as escolas das amarras do modelo educacional do século XIX.
Criador de um sistema de ensino alicerçado em três grandes valores: a liberdade, a responsabilidade e a solidariedade, Pacheco falou sobre os benefícios dessa nova forma de se educar, em que a escola não possui séries, anos, turmas, nem salas de aulas, e onde os alunos não são divididos por idade, não possuem aulas expositivas nem realizam provas como no método tradicional. “Em um ano e quatro meses do Projeto Âncora, conseguimos ótimos resultados. Comprovamos isso através da aplicação da Prova Brasil com nossos alunos de apenas oito anos. Todos foram aprovados com média 10 em um município que apresenta o Ideb (Índice de Desenvolvimento de Educação Básica) de 3,4”, contou orgulhoso o colaborador e mentor da escola paulista.
No Âncora são atendidos gratuitamente alunos com idades entre 06 e 12 anos, cujas famílias têm renda mensal de até 3 salários mínimos e que residem a até 3 quilômetros da escola. Todos os estudantes têm ensino em horário integral, definem a agenda do dia, os horários a seguir, sempre tutoreados pelos professores. Os alunos aprendem brincando todo o conteúdo previsto nos parâmetros curriculares e ainda possuem aulas de circo, artes, música, informática e skate. A aprendizagem é conduzida por projetos de pesquisa, cujos temas são escolhidos pelos próprios alunos e os resultados são compartilhados por todos.
A forma inovadora de Pacheco encorajou muitos educadores que acompanharam o evento a mudar a forma de ensino em sala de aula. “A conversa nos deu confiança e coragem para quebrar paradigmas e fazer diferente na educação”, disse a professora de Língua Adicional de uma escola da rede privada e estudante de Letras da UFRGS, Natália Gasparini. Para a assessora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre, Márcia da Silva Viegas, o Colégio Farroupilha merece o reconhecimento da sociedade por colocar na pauta do dia alternativas voltadas a mostrar como se faz e como se aprende a escola do século XXI. “O Farroupilha está de parabéns pela iniciativa. Há grupos de professores que estão ‘acordando’ para essa forma de ensino e o governo está dando mais autonomia para as escolas escolherem o melhor modelo de ensino. A escola Gilberto Jorge, da rede municipal, é um exemplo disso. Ela é referência para muitos pesquisadores da área da educação e da economia”, exemplificou a professora. Na plateia, a mãe de aluno do Ensino Médio, Jane Fagundes, se disse surpresa com a grande quantidade de jovens que cursam Pedagogia e que querem seguir a carreira de professor. “Esse é um evento de grande valia para os nossos docentes. O Farroupilha merece o nosso reconhecimento porque, mais uma vez, mostra que está sempre a frente do seu tempo. A educação merece bons resultados”, frisou Jane.
Após o encontro, o público participou de sessão de autógrafos na Casa do Estudante. Até a próxima sexta-feira, 28 de junho, a comunidade pode adquirir os livros de José Pacheco na Casa do Estudante, situada no Boulevard do Farroupilha.
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Assista aqui o vídeo sobre o Projeto Âncora.