A escola pretende preparar as pessoas para a vida, mas acaba, muitas vezes, preparando os alunos para as avaliações. A linha que separa os saberes para a vida e dos saberes para os estudos é, para Philippe Perrenoud, o ponto de partida para se discutir o currículo do século 21. “A vida tem que estar no centro da discussão do currículo. O quanto a escola está nos preparando para viver nesse mundo?”, pergunta o sociólogo suíço que é especialista em currículo, práticas pedagógicas e formação de professores.
Mas Perrenoud aponta alguns dos saberes que, para ele, deveriam fazer parte de uma escola que pretende preparar os alunos para a vida, mas que são praticamente ausentes nos currículos. Eles estão nas searas de direito, urbanismo, economia, ciências políticas e psicologia. “Sabemos transformar decímetro em centímetro, mas o que sabemos sobre autoestima, agressividade, angústia? O que vamos usar mais na vida?”
Para ele, não há como não nos preparar para a vida no século 21 sem entender o mundo em que vivemos. Se a nossa sociedade exige que utilizemos dinheiro, bancos, precisamos entender a lógica por trás do sistema. Se habitamos cidades com trânsito, poluição e problemas de saneamento, é necessário compreender essa dinâmica. Se votamos, vivemos em democracias, precisamos compreender as forças envolvidas no sistema.