
"Vivemos em uma sociedade onde um conjunto de valores está sendo contestado, transformado e até mesmo substituído por outros. Estamos no epicentro de um terremoto. Em todas as instâncias da sociedade existem um movimento por mudanças das estruturas éticas e morais". A constatação é do médico José Outeiral, que há mais de 42 anos dedica-se à psiquiatria e ao tratamento de crianças e adolescentes. Convidado da primeira palestra geral do ano do Cuidar é Básico, realizada na noite de 09 de abril, no Auditório do Colégio, Outeiral falou para uma plateia, formada principalmente por pais e familiares de alunos, sobre os reflexos da formação dada à criança pela família.
De acordo com o psiquiatra, o período de infância está sendo cada vez mais curto. "Temos hoje a turbulência adolescente invadindo os anos de infância. Existem crianças que não vivem a infância e que, aos 10 anos, precisam enfrentar precocemente questões como a sexualidade e a sociedade de consumo, por exemplo. Isso faz com que essas crianças tenham dificuldades escolares de aprendizado e de convivência", alertou o profissional.
Da mesma forma em que a infância é "desinventada", a adolescência também invade a fase adulta. "Percebemos na sociedade contemporânea que os adultos têm grande desejo de parecerem adolescentes. São os kids adults, que contribuem para que exista um mundo onde há escassez de adultos nas casas, nas escolas e na sociedade como um todo. De todos os mamíferos, é o bebê humano que nasce em um estado de maior desamparo", enfatizou Outeiral.
Pai de uma adolescente e de um menino, o médico Luís Ricardo Tarragô, compartilha da opinião do palestrante. "A família está buscando uma saída para não falhar dentro de uma sociedade que mais dificulta do que ajuda as nossas crianças e os nossos adolescentes. Como pais, temos a obrigação de preservar, criar e fortalecer vínculos que estimulem a vivência da primeira infância", disse Tarragô.
Para a jornalista Fernanda Garcia, mãe de uma aluna do Jardim de Infância e de um menino do 1º ano do Ensino Fundamental, a família deve estimular o sentimento de fraternidade e impor limites como forma de preparar e capacitar os filhos para enfrentar os desafios diários impostos pelo cotidiano. "Desta forma, contribuiremos para que nossos filhos sejam pessoas felizes, éticas, responsáveis e realizadas em todos os aspectos", sintetizou Fernanda.
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