Na noite de quarta-feira, 09 de maio, educadores e familiares
de estudantes da Educação Infantil e do 1º e 2º anos do Ensino Fundamental –
Anos Iniciais participaram de encontro do Programa Cuidar é Básico com a psicologia
Giuliana Chiapin. “Os desafios de ser pai e mãe: um bate-papo sobre sexualidade, limite e
afeto” foi o tema da conversa, que aconteceu no Auditório 1 da unidade Três
Figueiras.
Após se apresentar, Giuliana, que é também sócia-fundadora do
Investir Criança e docente do curso de Especialização em Psicoterapia
Psicanalítica do ESIPP – Estudos Integrados de Psicoterapia Psicanalítica,
ressaltou que a proposta de sua fala era gerar uma reflexão sobre como as
coisas funcionam, na prática, em nossas casas e salas de aula, e não o
aprofundamento teórico ou a transmissão do que é certo ou errado.
“Assim como nascemos com uma carga genética, que determina
as características físicas, temos também um potencial emocional”, destacou a
especialista. De acordo com ela, o bebê é constituído de uma série de fatores,
como a genética, a cultura na qual está inserido, a formação que recebe, a
criação dos pais, entre outros.
E essas características únicas podem, segundo Giuliana, ser
percebidas desde o nascimento, já que mesmo antes de falar, a criança se
comunica. “Toda e qualquer manifestação da criança, é uma comunicação: o choro,
a irritação, a tranquilidade”, afirmou. Porém, aprender a falar não significa
ter o desenvolvimento para entender tudo o que é dito: “O adulto pode pensar
como uma criança, mas a criança não necessariamente consegue pensar como adulto.
Cabe a nós o trabalho de descermos na altura da mentalidade deles para se fazer
entender. Muitas vezes o conflito acontece porque estamos nos comunicando de
igual para a igual e a criança não consegue entender o que está acontecendo”,
explicou.
Ao abordar a importância de aprender a lidar com as
frustrações, Giuliana ressaltou que se a resposta para o desconforto for sempre
uma ação, o bebê aprende que apenas a atividade o faz sentir melhor”. Diante
disso, a psicóloga explicou que é essencial mostrar para a criança que ela é
capaz de lidar com os seus sentimentos, dando a ela espaço para pensar e
sentir.
Após provocar
reflexões sobre os limites e a sexualidade, falando sobre a importância de
entender cada criança como um ser único e de ensiná-la a ter comportamentos
saudáveis, respeitar-se e perceber o que é íntimo, público ou provado, a
especialista defendeu que, apesar dos avanços tecnológicos, o ser humano nunca
será um ser digital, pois é, essencialmente, um ser que se relaciona. “Afeto é
o que nos constitui, o que nos faz viver”, concluiu.