
Confira abaixo o texto desenvolvido em 2011 para estimular os alunos a escreverem um texto dissertativo sobre o assunto:
Quando quer enfatizar a importância do contexto para o entendimento de uma frase, o gramático Evanildo Bechara ri ao citar de memória uma manchete que o marcou em 1967. O cantor Sérgio Ricardo, ante as vaias no III Festival de Música Brasileira, da TV Record, despedaçara o próprio violão na plateia que ouvia Beto Bom de Bola.
"Violada em pleno auditório", manchetou o Notícias
Populares.
Pertencente ao respeitável grupo Folha, que edita Folha de
S. Paulo, o hoje extinto NP por muito tempo representou uma escola de
sensacionalismo que parece nem existir mais nas bancas. Mas a prática
linguística de imprimir humor à informação, ah, essa anda viva como nunca.
Que o diga o tabloide Meia Hora, irmão popularesco do
carioca O Dia, ao noticiar em 14 de novembro que a Rede Globo afastara o
protagonista da novela Negócio da China por dependência de cocaína:
"Fábio Assunção dá um tempo na carreira".
Ou a chamada de capa de seu conterrâneo Extra, do
conglomerado da Globo, que há um ano noticiou a entrega do cargo de Fidel
Castro ao irmão, com a foto do líder cubano em posição de vertigem:
"Fidel chama o Raúl".
Títulos da imprensa, como esses, afagam a ambiguidade
semântica e a malícia discursiva da população. "Carreira", no caso,
permuta os sentidos "trajetória profissional" e "fileira de pó
aspirada por usuários de cocaína". Já "chama o Raúl" simula uma
convocação, mas mira mesmo é na onomatopeia que descreve a náusea dos
embriagados.
(http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11683)
como "um animal que ri". Poderia também ter sido definido como um
animal que faz rir, pois se outro animal o conseguisse, ou algum objeto
inanimado, seria por semelhança com o homem, pela característica impressa pelo
homem ou pelo uso que o homem dele faz.
(BERGSON, Henri. O Riso)
Mas o chargista defende um outro lado do "tosco".
"Existe o tosco como conceito estético, algo na linha do desenho de TV
'South Park'. Existe o tosco como meio de veicular ideias de quem não tem
talento artístico e nem dinheiro para grandes produções, que é super válido: é
o caso das tirinhas com homem palito ou vídeos de fundo de quintal com ótimos
sacadas."
(http://guia.folha.com.br/passeios/ult10050u960127.shtml)
Uma cena ocorrida na última sexta-feira em Hollywood, nos
Estados Unidos, lembrou muito as recentes polêmicas com a comédia stand-up no
Brasil. Tudo por que o comediante americano Aziz Ansari se irritou com uma
frequentadora de seu show e resolveu xingá-la.
"Por que você não usa um ponto vermelho em sua
testa?", perguntou a mulher, que estava no show de comédia de Ansari,
fazendo referência à ascendência indiana do comediante.
"Por que você não tem a palavra vagabunda tatuada na sua testa?", respondeu Ansari, de acordo com o site da revista "Entertainment Weekly".
Em seguida, Ansari expressou sua indignação sobre o fato de
ainda haver pessoas racistas no mundo.
Ansari é um dos comediantes mais famosos dos Estados Unidos. Atualmente, ele estrela a série "Parks and Recreation", além de já ter atuado nos filmes "Tá Rindo do Quê?" ("Funny People") e "Eu Te Amo, Cara" ("I Love You, Man"), ambos de 2009. No ano passado, ele apresentou o MTV Movie Awards.
O caso lembra muito duas polêmicas recentes ocorridas no
Brasil. Uma com o comediante Rafinha Bastos, que disse em show de stand-up que toda
mulher estuprada é feia e, portanto, deveria agradecer a violência, e outra com
o mágico Ben Ludmer, que fez piada autodepreciativa sobre gordos em show no
Teatro Folha e levou uma surra de um espectador acima do peso.
(http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/956571-comediante-americano-xinga-frequentadora-em-show-de-stand-up.shtml)