21/Ago/2012
Legalização da maconha em discussão

Tema de grande repercussão nacional, a legalização da maconha e os riscos decorrentes do uso dessa droga por crianças e jovens, foram discutidos durante palestra do Cuidar é Básico, realizada no Auditório do Farroupilha, na noite de 20 de agosto. Mediada pelo coordenador do Ensino Médio, Rubem Corso, o evento contou com a participação do psiquiatra Sérgio de Paula Ramos, coordenador do programa adotado pelo Colégio e que visa alertar as famílias quanto a formas de prevenção no consumo de bebidas alcoólicas e drogas; da promotora de justiça da Infância e Juventude de Porto Alegre, Noara Bernardy Lisboa; do presidente do Grêmio Estudantil do Farroupilha, João Paulo Dornelles e da orientadora educacional, Sumaia Curço. Na plateia, pais, alunos e educadores interagiam realizando perguntas aos convidados.
“Receio que o uso de drogas se banalize, como o álcool, que hoje atinge mais de 50% dos adolescentes atendidos por nós, no Ministério Público”, declara a promotora de justiça, Noara Bernardy, ao enfatizar que está preocupada com a possível aprovação do anteprojeto que legaliza o uso da Cannabis sativa. “Este anteprojeto se preocupa em criar um problema que não existe, uma vez que o usuário não é punido com prisão. Aliás, é muito mais comum termos traficantes impunes do que usuários presos”, enfatiza Noara.
Na avaliação do coordenador do Cuidar é Básico, o debate sobre a possível aprovação do anteprojeto envolve questões de saúde pública. Dados da Universidade Federal de São Paulo, apresentados pelo psiquiatra, demonstram que 68% dos jovens com idades inferiores a 18 anos já experimentaram maconha e que a dependência química atinge de 12 a 50% dos jovens brasileiros. “Estudos provam que vários efeitos estão relacionados ao uso de maconha, como: prejuízo no desempenho escolar, aumento da chance de se envolver com outras drogas e em acidentes de trânsito e de sintomas psicóticos como esquizofrenia e depressão”, enumera o dr. Sérgio de Paula Ramos.
Com três filhas adultas e uma adolescente em casa, o administrador de empresas, Sebastian Widhulzer, diz que há muito interesse econômico associado à liberação do uso da maconha. “Comecei a beber com 30 anos. Hoje, vemos que a indústria da cerveja cada vez mais seduz nossos jovens. Preciso ter cuidados redobrados com a minha filha de 13 anos”, ressalta o pai de 60 anos.
“Logo, logo minha filha estará indo a eventos. A presença de álcool nas festas de 15 anos e os concentras me preocupam muito”, conta a dona de casa, Cristine Fossá, que costuma acompanhar as palestras do Cuidar é Básico.
Comparecendo pela primeira vez, a funcionária pública, Karen Coelho, confidencia que a polêmica sobre o tema a atraiu para o bate-papo e que os conselhos proferidos pelos palestrantes vão lhe ajudar na educação do filho matriculado no Jardim de Infância.

Ao final do evento, foram distribuídos flayers ressaltando que é crime dar bebida alcóolica a adolescentes. A iniciativa integra ação do Forum Permanente de Combate ao Uso de Álcool por Crianças e Adolescentes, do qual o Colégio Farroupilha é membro ao lado de outras três instituição de ensino privado.
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