Foi com dois vídeos mostrando alguns problemas de
comportamento enfrentados por professores, diariamente, em sala de aula que
Luciene Tognetta, pedagoga, mestre em Educação e doutora em Psicologia Escolar
e do Desenvolvimento Humano, iniciou a sua palestra na manhã de terça-feira, 16
de fevereiro, segundo dia da Semana de Formação Docente. Intitulada “A
convivência ética que tanto queremos na escola: um desafio para os tempos
atuais”, Luciene trouxe dados recentes de uma pesquisa da Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), onde 12,5% dos professores
ouvidos no Brasil afirmaram serem vítimas de agressões verbais ou de
intimidação dos alunos pelo menos uma vez na semana – foi o índice mais alto
entre os 34 países pesquisados.
Veja como foi o primeiro dia da Semana de Formação Docente.
A especialista destaca que o que se tem hoje, na maioria das
instituições de ensino, são micro violências, ou seja, situações em que o
estudante usa o celular durante a aula, põe apelido nos colegas, morde o outro,
etc. “São situações que nos incomodam pela repetição e não pela intensidade. E
isso interfere na motivação para dar aula”, afirma. A mesma pesquisa da OCDE
apontou que o professor perde 20% do tempo de aula acalmando os alunos e
colocando a classe em ordem.
Para Luciene, a educação moral das crianças e dos
adolescentes é uma responsabilidade compartilhada entre a escola e a família, e
que a escola e os seus professores devem pensar em regras que tenham princípios
por trás, a fim de que os estudantes tornem-se autônomos e saibam conviver. “Toda
regulação da convivência deve ser baseada num princípio de respeito a si mesmo”,
sugere.