Na noite de terça-feira, 18 de agosto, pais de todos os
níveis de ensino do Colégio participaram do segundo encontro geral do ano do
programa Cuidar é Básico. O tema – “O tempo e o espaço na infância e na
adolescência” – reuniu a pedagoga, mestre e doutorada em Educação pela UFRGS e
responsável pelo Programa de Extensão Universitária “Quem quer brincar?”, Tania
Ramos Fortuna, e a psicóloga clínica de crianças e adolescentes, especialista em
Saúde Mental e Desenvolvimento Infantil, consultora do Programa Primeira
Infância Melhor (PIM) e Sócia-fundadora da Investir Infância, Giuliana Chiapin.
Ao mostrar o vídeo “Ella Mae sings ‘An American Trilogy’, by
Elvis Presley”, Giuliana destacou que não somos nativos digitais, e sim seres
de conexão. Para ela, quando uma criança fica 4h ou 5h na frente da televisão
ou de um computador, algo está errado nas relações familiares. “Cada vez
estamos falando menos da infância, e damos lugar para uma adolescência cada vez
mais precoce”, sinalizou. Além disso, quando os pais ocupam o tempo dos filhos
com diversas atividades extracurriculares, eles não estão preenchendo este tempo
com o que realmente importa para o desenvolvimento deles: amor, atenção e
limites. “Com uma conexão subjetiva, um ambiente suficientemente bom e
facilitador e dando oportunidade para brincar, teremos crianças e adolescentes
seguros, saudáveis, criativos e felizes”, afirmou.
Já Tânia explicou que está ocorrendo um infanticídio na
sociedade atual, com as crianças se tornando jovens cada vez mais cedo. O zelo
em excesso está fazendo com que os pais cometam um “infantocentrismo”. “Pensamos
em tudo: na segurança de casa, colocando telas nas janelas, escolhendo o piso e
o mobiliário correto para elas, ou fechando viagens de férias preocupados com
elas. Quantas vezes não saímos para almoçar pensando no que a criança pode
comer?”, questionou. A partir de resultados de diferentes pesquisas, a
especialista alertou as famílias: as crianças sentem-se sozinhas.
Uma pesquisa realizada com 150 crianças entre cinco e dez
anos de três escolas particulares de Porto Alegre questionou sobre o que elas
mais querem: a companhia dos pais para brincar e sair. Em 2001, o canal
infantil da TV paga Cartoon Network ouviu mais de mil crianças entre seis e dez
anos de quatro capitais brasileiras, e a família aparece como o centro de
preocupação do universo infantil: 83% afirmaram que querem estar junto dos
pais. Além disso, as crianças se importam, e muito, com a aparência e a
popularidade. Questionadas sobre o que gostam de ganhar de presente, 46%
preferem roupas de marca, 33% brinquedos e 10% videogames e jogos eletrônicos. “Continua
sendo importante para as crianças a presença de adultos capazes de exercer
relações parentais, por meio das quais sua inserção seja cultural e a herança
moral seja garantida”, concluiu.