Na última semana de maio, uma brincadeira virou o passatempo
preferido de alunos na hora do recreio: o Charlie Charlie Challenge. O jogo
consiste em escrever em uma folha de papel as palavras “sim” e “não” e colocar
dois lápis ou canetas em forma de cruz no meio do papel. Os participantes dizem
em voz alta: “Charlie, Charlie! Você está aqui?” para que Charlie se manifeste,
movendo os lápis para um dos lados. Preocupadas com a repercussão do jogo, que
causou medo entre os estudantes dos 4º e 5º anos, as orientadoras e professoras
do Ensino Fundamental – Anos Iniciais prepararam uma atividade com as turmas na
segunda-feira, 08 de junho.
No Laboratório de Física, o professor Gentil Bruscato “criou”
diferentes personagens para explicar os conceitos físicos por trás desses “jogos
sobrenaturais”. Hernandez, por exemplo, era um demônio responsável por um prego
encostar-se a um imã. Na verdade, o que acontece entre o prego e o imã é um
fenômeno de magnetismo. E o fantasma “Margarita” que era uma caneta que parava
misteriosamente na parede? “Não existe nada de sobrenatural aqui. O que
acontece é o atrito entre a parede e a caneta”, explicou Bruscato.
Os estudantes aprenderam, ainda, os fenômenos da bobina de
Tesla, que permite que uma luz acenda “sozinha”, e da eletrização por atrito,
onde o atrito de um cano com um papel toalha possibilita que a água se mexa. No
caso do jogo Charlie Charlie, o que acontece é que como a base de contato entre
os lápis é pequena e o atrito entre as peças é mínimo, basta apenas um assopro
no lápis ou uma pequena vibração na mesa para que ele se mova. “Não há nada
sobrenatural. Tudo é natural em função dos conceitos físicos. Quando não
conhecemos, tendemos a levar para o lado da fantasia e nos assustamos”, ensinou
Bruscato.