Como tornar as aulas mais atrativas para os alunos? De que forma podemos construir uma relação melhor entre professores e alunos? Estas foram algumas questões abordadas durante os relatos de experiências da terceira edição do evento gratuito “Inteligência Coletiva: Quem é o professor do século XXI?”, realizado na manhã de sábado, 25 de outubro, no Auditório do Colégio Farroupilha.
Carol Bucker, design thinker e publicitária, apresentou aos participantes o resultado de um trabalho realizado em 2013 com cinco turmas do 6º ano do Ensino Fundamental – Anos Finais do Farroupilha. Questionados quem são e como aprendem, os alunos disseram o que esperam da escola e dos docentes. Além do desejo em participar mais das aulas e das decisões escolares, eles querem dinâmicas diferentes em sala de aula e que os professores sejam mais compreensivos, abertos e mais carinhosos, deixando o autoritarismo e a repressão de lado. Ao invés de um professor, eles gostariam de um educador. “Ensinar que errar faz parte e ensinar a aprender e a viver com esses erros. Entender que cada aluno um tem um processo de aprendizado”, frisou Carol. Com o design thinking, considerado por ela um novo modelo mental, a emoção conduz o aprendizado. “Não é fazendo uma prova que vou ver se o meu aluno aprendeu o que eu ensinei. É olhar e ver o que ele construiu ao longo do caminho, colocando o ser humano em primeiro lugar”, explicou.
Professor do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), Nilo Barcelos resolveu pensar em uma aula diferente para os seus alunos depois de participar do curso “Novas técnicas em sala de aula”, da Escola de Professores Inquietos. No projeto “Educação para a sustentabilidade: uma abordagem interdisciplinar”, Nilo utilizou as técnicas de design thinking e storytelling. “A melhor forma de se colocar uma teoria à prova é colocá-la em prática. Foi uma satisfação enorme. Dá mais trabalho e requer uma preparação maior quando resolvemos inovar, mas pude perceber a alegria no rosto dos meus estudantes ao preparar uma aula diferenciada”, contou.
A professora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora do Carmo, Maria Alice Campesato, trouxe para o Inteligência Coletiva o projeto que lhe rendeu o Prêmio RBS de Educação 2013 na categoria Escola Pública RS, chamado “Viagens Literárias”. Na escola, localizada no bairro Restinga, zona sul de Porto Alegre, os alunos do 6º ano tinham dificuldades em ler: 41% deles paravam na metade de um texto e outros 24% só costumavam observar capa e as figuras. A docente trazia de casa livros distintos para estimular a leitura nos estudantes. Hoje, há na instituição um Clube de Leitura e Saraus Literários. “Foram inúmeras as mudanças em mim e nos meus alunos, além de muito crescimento que extrapola a sala de aula e a relação aluno-professor”, destacou.
Após os relatos de experiências, os presentes puderam participar de um aulão de Yoga e escrever em murais sobre os principais desafios em sala de aula. Nas palestras principais, os convidados foram o doutor em Comunicação Dado Schneider, e o cofundador da Escola de Criatividade Perestroika, Tiago Mattos.
Vídeos exibidos durante o evento:
- Filosofia e felicidade, com Marcia Tiburi e Mario Sergio Cortella
- Documentário: a educação e os desafios do nosso tempo
- Manuel Castells - A obsolescência da educação
Apresentações
- Relato de experiência: Carol Bucker
- Relato de experiência: Nilo Barcelos