Na noite de segunda-feira, 18 de agosto, as famílias do
Colégio Farroupilha participaram do novo formato do programa Cuidar é Básico.
Na segunda edição geral do evento, quatro especialistas foram convidados para
falar sobre diferentes temáticas, escolhidas previamente pelos pais.
A educadora especial e psicopedagoga Andréia Gonçalves
ministrou a palestra “Aprendendo a aprender: como ajudar esta geração?”, onde
tratou sobre as particularidades da Geração Y e de como os pais podem ajudar as
crianças e os adolescentes a se concentrar nos estudos. A especialista apontou
que a nova geração tem contato com centenas de informações ao mesmo tempo, mas tudo
de forma superficial. “As crianças hoje em dia têm muita capacidade, mas poucas
habilidades. Se pedirmos para um aluno fazer um resumo de uma matéria, ele terá
dificuldades”, afirma. Muitos pais presentes no Auditório do Colégio relataram
problemas nos hábitos de estudos dos filhos, como falta de foco, desorganização
e dificuldade em cumprir prazos na entrega de trabalhos ou leitura de livros.
Andréia destacou que a dinâmica familiar reflete no comportamento do filho, e
que as famílias devem ajudá-lo na definição de objetivos e na organização da
rotina. “As crianças e os adolescentes devem ter horários, inclusive para
dormir. Em relação ao estudo, devemos nos questionar: quando e como ele estuda?
A quantidade de tempo não é o principal”, alertou.
Em outra sala, o publicitário e diretor do curso de
Publicidade e Propaganda da ESPM-Sul, Alessandro Souza, conversava com os pais
sobre “Quem vê perfil, não vê coração: seu filho na Internet”, a partir de
dados de pesquisas e experiências vividas na faculdade. “Temos que dar
autonomia, mas sempre cuidando dos nossos filhos. O diálogo deve ser constante”,
sugeriu. A exposição dos filhos nas redes sociais é uma preocupação no modelo
de família atual. Saber o que a criança ou o adolescente posta na Internet pode
ser investigado, mas é preciso ter cautela. “O excesso de vigilância pode
prejudicar a autoestima. Se passarmos a vigiar demais, eles perdem a autonomia”,
complementou.
Bate-papo esclarece
dúvidas dos pais
No encontro “A balada é segura?”, o pediatra e hebiatra
Alberto Mainieri optou por formar uma roda com os pais presentes, e tirar
dúvidas sobre festas e o consumo de álcool cada vez mais precoce. “Meu filho
está no 7º ano e tem ido a festas em que observo o consumo de bebida alcoólica.
Geralmente se paga um valor para consumir à vontade. Como intervir nessa
questão, por mais que eu muitas vezes já o proíba de ir a alguns lugares?”,
questionou uma mãe. Para o especialista, o principal é que a família estabeleça
regras, seja fazendo concessões ou condições - "Se tu beberes, não sairá
mais”. “Busquem os seus filhos nas festas ou organizem um grupo de pais e se
comuniquem depois”, sugeriu Mainieri. O médico explicou que aos 12, 13 anos, o
adolescente passa por uma fase de autoafirmação, sendo, muitas vezes, levados
pelos colegas a ter algum comportamento que não condiz com os seus valores. “Se
eu vou para uma festa e não faço algo que os outros estão fazendo, fico de lado”,
exemplifica.
“Quebrando tabu: você consegue falar sobre sexualidade com o
seu filho?” foi o tema da conversa da psicóloga especialista em crianças e
adolescentes Ineida Aliatti. Muitas das famílias contaram de situações vivenciadas
com os seus filhos e da dificuldade em abordar certos assuntos dentro de casa. “Quando
meu filho me perguntou sobre sexo, fiquei totalmente perdida. Não sabia o que
falar, nem o que pensar”, disse uma das mães. Ineida explicou que não existe
uma idade certa para falar sobre sexualidade. A partir dos seis anos, por
exemplo, a criança começa a ter dúvidas de como nasceu. Já na puberdade o
adolescente passa a ter vergonha em relação aos adultos, sendo difícil
conversar e dar conselhos. “É importante identificar o que eles já sabem. O
ideal é sempre fazer uma pergunta a partir do questionamento que eles fizerem.
É normal falarmos sobre isso, mas temos que ter clareza do que dizer”,
ressaltou.