Na sexta-feira, 15 de agosto, os alunos do Grupo de Relações
Internacionais (GRI) do Colégio participaram de um encontro com o professor
Gentil Bruscato, do Laboratório de Física, sobre a sua experiência na Missão de
Paz da ONU, em Angola – United Nations Angola Verification Mission III (UNAVEM
III). De agosto de 1996 a janeiro de 1997, Bruscato se juntou à Companhia de
Engenharia de Força da Paz, na localidade de Calomboloca, sendo responsável,
principalmente, pela comunicação com o Brasil. “Montei antenas para que a tropa
entrasse em contato com os familiares a custo zero”, relembra.
Bruscato criou, ainda, um sistema de recepção via rádio em
ondas curtas para captar programas das rádios comerciais do Brasil. Assim, enquanto
a tropa trabalhava na construção de pontes, reparação de estradas, desminagem e
demarcação de loteamentos, ela podia ouvir notícias e até jogos de futebol. Na
época em que foi convidado a se juntar na missão de paz, o professor era o 2º
sargento do Exército Brasileiro da Área de Comunicação.
Ao chegar em Angola, ele lembra que a fome era um dos
problemas mais chocantes. Durante cinco dias, a tropa em que ele estava
ofereceu, gratuitamente, café da manhã às pessoas, mas a ação teve de ser suspensa
porque a população estava se matando por lugar na fila. “Temos que ter sangue
frio para encarar essa realidade. Se o lado psicológico não for muito bem
trabalhado, você não aguenta”, revela.
Bruscato destaca que o envolvimento com a população e o
convívio com diferentes culturas dos povos representados pela tropa envolvida
na missão foram pontos muito positivos, mas se afastar da família por seis
meses, foi difícil. Quando retornou ao Brasil, a sua percepção das relações
entre as pessoas era outra. “Os valores humanos e sociais são moldados pela
interação com uma realidade dura e cruel, onde quem vive nestes locais não têm
a menor ideia de como será o seu dia de amanhã”, afirma.